segunda-feira, 15 de junho de 2015

RESENHA #5: O SILÊNCIO DA CHUVA, LUIZ ALFREDO GARCIA-ROZA

Quem me conhece sabe que sou fã das séries da Netflix, e só nessas últimas semanas saiu temporada de duas séries que acompanho. A nova, Sense 8, que ainda não acabei, mas estou gostando, e Orange Is The New Black... Dessa não preciso nem falar, amo. Como eles fazem questão de te prender na tevê lançando todos os episódios de uma vez, isso fez com que eu me atrasasse um pouquinho na leitura, mas nada grave. Vamos começar.

Depois de explicado o motivo da demora de uma nova resenha, vamos falar um pouco sobre o carioca Luiz Alfredo Garcia-Roza. Professor universitário e autor de livros sobre psicanálise, ganhou um dos prêmios mais renomados, o Jabuti, justamente com esse seu romance de estréia, O Silêncio da Chuva. Publicado em 1996, essa série de livros, isso mesmo, esse é o primeiro livro de uma série de, até então, dez livros, que vão trazer as aventuras, se é que posso chamar assim, do inspetor Espinosa e do seu braço direito, o jovem investigador Welber.

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 Como só li o primeiro livro, só posso falar sobre o que percebi nele. O Silêncio da Chuva vai se passar no Rio de Janeiro, com um suicídio, aparentemente sem motivos, de um rico empresário. No decorrer da trama o número de personagens vão crescendo, ou seja, o número de suspeitos, e cada um deles vai evoluindo no livro, ou não, de sua própria maneira. É difícil resumir essa história por dois motivos: o primeiro, é um livro bem curto, com 262 páginas, letras grandes e páginas pequenas (na edição da Companhia das Letras). O segundo é que é um romance policial, a maior graça está no segredo da coisa.

Vamos conversar sobre o inspetor Espinosa: órfão dos pais, foi morar aos quatorze anos com sua avó, pessoa a qual o influenciou ao mundo da leitura. Morreu, segundo Espinosa, do que tinha de melhor: do coração. É um personagem muito fácil de você se identificar, consegue ver nele traços que você se pega dizendo no seu interior "ah, eu também sou assim". Uma das mil vezes que me vi fazendo isso, foi numa frase em que ele diz:
"Secretamente, acreditava que uma vez o mundo dos objetos estando arrumado, minha vida afetiva se arrumaria automaticamente."
 Só mudem a parte do "minha vida afetiva" para "tudo". Não sei vocês, mas, se meu quarto está desarrumado, saiba que minha cabeça está do mesmo jeito, e vice versa. Não consigo fazer nada em um lugar bagunçado, simplesmente não funciono.

Continuando, Espinosa é um cara decente. Mas no decorrer do livro ele teve uma atitude que durante boa parte do livro ganhou minha antipatia. Não sei se é porque sou bem chato com essas coisas, mas peguei um bode tão grande que... argh! Vai haver um momento no livro em que três pessoas estarão em perigo, duas mulheres e um homem. Na verdade, as mulheres só estarão em perigo devido ao laço que elas têm com esse homem, porque o alvo mesmo é ele. Acontece que Espinosa é um cara nos seus quarentões, divorciado, com um filho no exterior, mora sozinho em um apartamento antigo de três andares, nem elevador tem, totalmente solitário e um tanto depressivo, pode-se perceber isso nesse determinado trecho:
"Tomou um banho demorado, desembrulhou um sanduíche dito natural, que estava na geladeira, abriu uma cerveja, esticou-se no sofá da sala e começou a pensar na morte, não na ideia abstrata da morte, mas em quanto tempo ainda teria de vida. Isso aos quarenta e dois anos, numa noite de sábado, num apartamento de solteiro em Copacabana. Concluiu que já estava morto. Foi dormir"
E, talvez devido a isso, ele está sempre a fantasiar situações amorosas com as mulheres que conhece. Até aí, ok, mas aí ele começa a negligenciar a segurança do homem porque um, era homem, dois, ele tinha inveja desse cara porque ele tinha esse laço com as duas mulheres, e, três, porque, ao aproximar-se delas com a intenção de verificar suas seguranças (e, sim, essa intenção era genuína), ele teria a possibilidade de ter alguma chance com elas. Isso me deixou irado, a negligência.
 "Minhas fantasias juvenis sempre incluíram uma situação na qual eu e uma mulher éramos alvo de um atentado ou coisa parecida, e eu heroicamente a protegia com meu próprio corpo, e dessa proximidade corporal surgia uma paixão avassaladora. A situação perigosa era rápida e eficientemente superada e tínhamos o caminho livre para nos amarmos." 
 Ajudando o inspetor a resolver os crimes, teremos o investigador Welber. No primeiro livro, o único que eu li até então, o autor não nos diz muito sobre esse personagem, apesar de ele ser bastante presente. Apenas que é novo, e o inspetor Espinosa gosta dos policiais novos pois eles ainda não foram corrompidos pelo Estado, boa aparência, dedicado ao trabalho e muito fiel ao seu parceiro.

O livro vai ter um desfecho interessante, foi até previsível para mim quem era o/a tal vilão/vilã, subiu meu ego de leitor, rs. Senti que as coisas não ficaram claras, mas implícitas. Por falar nisso, gostaria muito de conversar sobre o final desse livro com alguém que já o leu, por isso, por favor, apresente-se, rs! Na internet, descobri muito pouco sobre o autor. Uma pena ter entrado na literatura de ficção tão tarde, já com 60 anos. O último livro dessa série foi lançado ano passado, sinal que a trama está sendo atualizada, e com certeza irei ler os outros. Vou deixar aqui em baixo o nome e data de lançamento dos outros livros. Ah, todos foram lançados pela editora Companhia das Letras!
  • O Silêncio da Chuva (1996)
  • Achados e Perdidos (1998)
  • Vento Sudoeste (1999)
  • Perseguido (2001)
  • Uma Janela em Copacabana (2004)
  • Berenice Procura (2005)
  • Espinosa Sem Saída (2006)
  • Na Multidão (2007)
  • Céu de Origamis (2009)
  • Fantasma (2012)
  • Um Lugar Perigoso (2014)
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