quinta-feira, 18 de junho de 2015

DO BLOGSPOT PARA O YOUTUBE!

Depois de pensar muito, muito, mas muuuito sobre o assunto, decidi fazer e postar um vídeo na minha conta do YouTube que mantenho congelada desde 2011. Sempre tive muita vontade de entrar no mundo dos youtubers, mas a vergonha era maior, e uma coisa que sempre me deu MUITA raiva, desde que eu me entendo por gente, é essa minha maldita timidez estar sempre a me limitar de fazer certas coisas. Well, not anymore.

Espero que gostem, inscrevam-se no canal e não se esqueça de avaliar!



Isso não quer dizer que depois desse vídeo, vupt, a vergonha foi embora da minha vida, mas quer dizer que, dessa vez, eu venci ela. Sei que muita gente sofre desse mesmo mal, ou pior, então vai aí a história de superação!

(Ah!, e continuarei com o blog!)

segunda-feira, 15 de junho de 2015

RESENHA #5: O SILÊNCIO DA CHUVA, LUIZ ALFREDO GARCIA-ROZA

Quem me conhece sabe que sou fã das séries da Netflix, e só nessas últimas semanas saiu temporada de duas séries que acompanho. A nova, Sense 8, que ainda não acabei, mas estou gostando, e Orange Is The New Black... Dessa não preciso nem falar, amo. Como eles fazem questão de te prender na tevê lançando todos os episódios de uma vez, isso fez com que eu me atrasasse um pouquinho na leitura, mas nada grave. Vamos começar.

Depois de explicado o motivo da demora de uma nova resenha, vamos falar um pouco sobre o carioca Luiz Alfredo Garcia-Roza. Professor universitário e autor de livros sobre psicanálise, ganhou um dos prêmios mais renomados, o Jabuti, justamente com esse seu romance de estréia, O Silêncio da Chuva. Publicado em 1996, essa série de livros, isso mesmo, esse é o primeiro livro de uma série de, até então, dez livros, que vão trazer as aventuras, se é que posso chamar assim, do inspetor Espinosa e do seu braço direito, o jovem investigador Welber.

sssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssaaaaaaaaaaaaaa

 Como só li o primeiro livro, só posso falar sobre o que percebi nele. O Silêncio da Chuva vai se passar no Rio de Janeiro, com um suicídio, aparentemente sem motivos, de um rico empresário. No decorrer da trama o número de personagens vão crescendo, ou seja, o número de suspeitos, e cada um deles vai evoluindo no livro, ou não, de sua própria maneira. É difícil resumir essa história por dois motivos: o primeiro, é um livro bem curto, com 262 páginas, letras grandes e páginas pequenas (na edição da Companhia das Letras). O segundo é que é um romance policial, a maior graça está no segredo da coisa.

Vamos conversar sobre o inspetor Espinosa: órfão dos pais, foi morar aos quatorze anos com sua avó, pessoa a qual o influenciou ao mundo da leitura. Morreu, segundo Espinosa, do que tinha de melhor: do coração. É um personagem muito fácil de você se identificar, consegue ver nele traços que você se pega dizendo no seu interior "ah, eu também sou assim". Uma das mil vezes que me vi fazendo isso, foi numa frase em que ele diz:
"Secretamente, acreditava que uma vez o mundo dos objetos estando arrumado, minha vida afetiva se arrumaria automaticamente."
 Só mudem a parte do "minha vida afetiva" para "tudo". Não sei vocês, mas, se meu quarto está desarrumado, saiba que minha cabeça está do mesmo jeito, e vice versa. Não consigo fazer nada em um lugar bagunçado, simplesmente não funciono.

Continuando, Espinosa é um cara decente. Mas no decorrer do livro ele teve uma atitude que durante boa parte do livro ganhou minha antipatia. Não sei se é porque sou bem chato com essas coisas, mas peguei um bode tão grande que... argh! Vai haver um momento no livro em que três pessoas estarão em perigo, duas mulheres e um homem. Na verdade, as mulheres só estarão em perigo devido ao laço que elas têm com esse homem, porque o alvo mesmo é ele. Acontece que Espinosa é um cara nos seus quarentões, divorciado, com um filho no exterior, mora sozinho em um apartamento antigo de três andares, nem elevador tem, totalmente solitário e um tanto depressivo, pode-se perceber isso nesse determinado trecho:
"Tomou um banho demorado, desembrulhou um sanduíche dito natural, que estava na geladeira, abriu uma cerveja, esticou-se no sofá da sala e começou a pensar na morte, não na ideia abstrata da morte, mas em quanto tempo ainda teria de vida. Isso aos quarenta e dois anos, numa noite de sábado, num apartamento de solteiro em Copacabana. Concluiu que já estava morto. Foi dormir"
E, talvez devido a isso, ele está sempre a fantasiar situações amorosas com as mulheres que conhece. Até aí, ok, mas aí ele começa a negligenciar a segurança do homem porque um, era homem, dois, ele tinha inveja desse cara porque ele tinha esse laço com as duas mulheres, e, três, porque, ao aproximar-se delas com a intenção de verificar suas seguranças (e, sim, essa intenção era genuína), ele teria a possibilidade de ter alguma chance com elas. Isso me deixou irado, a negligência.
 "Minhas fantasias juvenis sempre incluíram uma situação na qual eu e uma mulher éramos alvo de um atentado ou coisa parecida, e eu heroicamente a protegia com meu próprio corpo, e dessa proximidade corporal surgia uma paixão avassaladora. A situação perigosa era rápida e eficientemente superada e tínhamos o caminho livre para nos amarmos." 
 Ajudando o inspetor a resolver os crimes, teremos o investigador Welber. No primeiro livro, o único que eu li até então, o autor não nos diz muito sobre esse personagem, apesar de ele ser bastante presente. Apenas que é novo, e o inspetor Espinosa gosta dos policiais novos pois eles ainda não foram corrompidos pelo Estado, boa aparência, dedicado ao trabalho e muito fiel ao seu parceiro.

O livro vai ter um desfecho interessante, foi até previsível para mim quem era o/a tal vilão/vilã, subiu meu ego de leitor, rs. Senti que as coisas não ficaram claras, mas implícitas. Por falar nisso, gostaria muito de conversar sobre o final desse livro com alguém que já o leu, por isso, por favor, apresente-se, rs! Na internet, descobri muito pouco sobre o autor. Uma pena ter entrado na literatura de ficção tão tarde, já com 60 anos. O último livro dessa série foi lançado ano passado, sinal que a trama está sendo atualizada, e com certeza irei ler os outros. Vou deixar aqui em baixo o nome e data de lançamento dos outros livros. Ah, todos foram lançados pela editora Companhia das Letras!
  • O Silêncio da Chuva (1996)
  • Achados e Perdidos (1998)
  • Vento Sudoeste (1999)
  • Perseguido (2001)
  • Uma Janela em Copacabana (2004)
  • Berenice Procura (2005)
  • Espinosa Sem Saída (2006)
  • Na Multidão (2007)
  • Céu de Origamis (2009)
  • Fantasma (2012)
  • Um Lugar Perigoso (2014)
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sábado, 6 de junho de 2015

Japonês? Chinês? Coreano?

Fui a uma festa semana passada, no fim da festa vi um japonês? chinês? coreano? sentado com uma garrafinha de Skol. Senti a necessidade de falar com ele. Cheguei falando inglês. Ele me respondeu em português. Ri da minha cara. Disse que morou em Brasília, Minas e agora vinha de São Paulo. Respondi que amava São Paulo. Me perguntou o que eu estava fazendo ali.

Casou, divorciou e casou de novo. Tem uma filha. Os amigos o perguntam se ela é lésbica. Ele manda-os perguntar a ela. Contei da minha vida. Contei que a aceitação da minha família foi difícil. Ele disse que minha família me amava, só não sabia como amar.

Disse que queria ir a São Paulo para tentar jornalismo lá. Ele disse que o jornalismo não está em São Paulo, está em mim.

Crazy in Love começou a tocar. Eu disse que precisava ir dançar. Ele disse uma última vez: tua família te ama, só não sabe como.

RESENHA #4: AS INTERMITÊNCIAS DA MORTE, JOSÉ SARAMAGO

*ATUALIZAÇÃO: pessoal, fiz uma página no facebook para divulgar o blog e as postagens. Então, para ficar ligado quando tem postagem nova, sigam lá, clicando aqui ou no instagram, clicando aqui

Mais do que só um livro, uma fonte de sabedoria e pensamentos que Saramago nos banha nesse livro.


"No dia seguinte ninguém morreu", e é assim que começa As Intermitências da Morte. Com o castigo que a morte, com m minúsculo, porque a morte dos seres humanos não é nada comparada com a verdadeira Morte, a que acabará com tudo e a que nunca conheceremos pois quando ela chegar, nós estaremos também acabados, de José Saramago, que se pudesse sentir se sentiria traída pela raça humana, decide aplicar sob a raça humana. A Igreja cai, pois sem morte não há ressurreição. A monarquia cai, pois sem morte como pode haver a herança da coroa? Os grandes pensadores caem, porque filosofar é aprender a morrer. As casas funerárias, de repouso, cuidadores caem. As pessoas vivem verdadeiro estado da calamidade, miséria, não podem morrer, mas também não estão vivas. A morte mostra, enfim, sua importância.

Esse é um assunto delicado. Pessoalmente, a morte é o meu maior medo. Sou o líder do fã club "odiamos a morte" e esse livro foi um tapa na minha cara com força e vontade. A vida e morte andam juntas. São forças onipresentes, a morte mais ainda. Cada um de nós já nasce com a morte predestinada, como velhos amigos de infância. O mesmo com animais e vegetais. Pode-se assim dizer que a morte tem vida limitada, nasce com a gente e morre com a gente.

A primeira metade do livro ele vai narrar como o país vai se comportar com a imortalidade. Saramago vai solta diversas indiretas que tá mais para direta para Igreja, como: "Mais ou menos como na política, eminência, Assim é, mas a vantagem da igreja é que, embora às vezes o não pareça, ao gerir o que está no alto, governa o que está embaixo."  e outras mais. A segunda metade do livro, que foi a que mais me identifiquei, ele vai narrar a história do ponto de vista da morte. Já deu pra perceber que a morte nesse livro é um personagem, Saramago vai personificar a própria que vai decidir cessar essa imortalidade, mas acha justo avisar com precedência que o fim está chegando para cada um, não que ela já não o fizesse, ela já dava esse privilégio para alguns ao "dar de presente" uma doença. O problema com a doença é que todos acham que vão sair dela e quando pensam em se despedir já é tarde demais.

Com um final que me fez segurar o ar por 3 segundos, As Intermitências da Morte foi o livro perfeito para eu começar Saramago. O próximo que quero ler dele é Ensaio Sobre a Cegueira. Sou muito curioso para saber se o final desse livro é o mesmo do filme.

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sexta-feira, 5 de junho de 2015

RESENHA #3: O CADERNO ROSA DE LORI LAMBY, HILDA HILST (+18)

Vamos começar avisando que esse é um post +18, então vai ter palavrão e putaria, porque como falar de uma obra da Hilda Hilst sem falar palavrão e putaria? Quer dizer, é possível porque ela não escreveu putaria a vida toda, mas enfim.

Não vou falar sobre a autora nesse post porque vou fazer um especial depois que eu ler a fortuna crítica do livro, o qual pessoas próximas dela, como Caio Fernando Abreu e outros, falam sobre essa mulher maravilhosa que era Hilda. Então esperem, que já já leio.

O livro é escrito em forma de diário pela própria Lori Lamby, uma garota de 8 anos que é prostituída pelos pais, e vai narrar todas as experiências sexuais dessa criança. Kinda perturbador. A forma que Lori Lamby conta a história meio que me deu um pouco de agonia, porque os pais a contaram que aquilo era normal e acontecia sempre com todo mundo, então para ela aquilo tudo é normal, todas as crianças tem suas vaginas chupadas, todas as crianças gostam disso e isso me deixava louco para entrar no livro e dizer que NÃO, não é bem assim! E eu achei isso engraçado (não o fato todo narrado, mas o jeito que a Hilda me fez querer entrar no livro).

Outro fato curioso é que o caderno que a Lori Lamby escreve é rosa (ok, tá dito no título do livro) e a edição que a Globo Livros lançou também é rosa, rosa choque, cor "infantil". Imagino que o rosa que a Hilda imaginou fosse esse mesmo, por isso me vi lendo literalmente o caderno rosa da Lori Lamby. E dentro do caderno rosa, chega um momento que a Lori copia uma história que um de seus "clientes" (as aspas é porque não sei se eles eram clientes da Lori ou de seus pais, né) conta a ela, e essa parte é chamada de Caderno Negro, e essa história vai contar com muito sexo explícito, incesto e zoofilia, tudo realmente dito na cara, nada entrelinhas.

Posso dizer que aprendi muito com esse livro também. Nunca vi tantos sinônimos para pênis e vagina. Vai variar de "boceta" para "coninha gordinha". E não é só putaria não! Hilda nesse livro faz muitas referências a livros/escritores de nome, como Henry James, Oscar Wilde e Madame de Bovary.

Esse é o primeiro livro de uma trilogia, mas pelo que já vi os outros dois que também vieram nessa edição linda maravilhosa, perfeita não são continuação do primeiro livro. Estou ansioso para ler os outros livros porque nesse ok, eu sei que foi escrito pela Hilda, mas não foi a linguagem dela, a assinatura dela. A linguagem desse livro é de uma criança de 8 anos contando, então quero conhecer melhor essa autora que me ganhou só pela ousadia.

Fotos abaixo da Hilda, compilação da trilogia + livro de poemas Bufólicas + fortuna crítica, ilustrações de Ivan Rubino Fernandes, Laura Teixeira, Veridiana Scarpelli e Jaguar. Edição liiindaaaaaa!




E é isso! Indicação feita! Se vocês já a conhecem, me indiquem aí nos comentários ou lá no meu instagram mais dicas de livros que eu preciso de maaaaaais, maaaaaaais!

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terça-feira, 2 de junho de 2015

FILME #1: PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN


Eva, uma bem-sucedida escritora de livros, casada com seu marido Franklin, publicitário, vivem uma vida plena e feliz em um loft no centro da cidade. Eva que já deve ter seus 40 anos descobre estar grávida do seu primeiro filho, Kevin. Não foi uma gravidez planejada, mas isso não abala a convivência do casal que se muda para uma confortável casa no que parece ser um interior para criar o filho. Esse menino, porém, é o demônio em pessoa e transforma a vida de Eva num inferno.

Desde criança Kevin demonstrava ter uma personalidade ruim. A primeira palavra que ele aprendeu a falar foi não, pois a usava como resposta quando a Eva perguntava se ele a amava, ou quando pedia para ele dizer mamãe, então já dá pra saber que uma criança dessa comportada é o que ela não vai ser, né! O mais perturbador é que na frente do pai ele é um anjo, este nunca vai acreditar nas coisas que a Eva diz que o Kevin faz, o que vai gerar bastante conflito na vida de casal.


No decorrer do filme Kevin vai fazendo pequenas coisas, que não são tão pequenas assim, pra transformar a vida de Eva numa verdadeira desgraça e aos poucos ele vai tirando todo e qualquer resquício de humanidade que resta nela. Um drama que pode ser perfeitamente classificado como um terror psicológico. A montagem dele é bem única, pois ele fica alternando entre o Antes de Kevin e o Depois de Kevin na vida de Eva, por isso é bem importante ficar atento pois não há aviso prévio nessas mudanças de cenário.

Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need To Talk About Kevin), lançado em 2011, foi um filme dirigido por Lynne Ramsay, baseado num livro de mesmo nome de Lionel Shriver, e tem no elenco a maravilhosíssima Tilda Swinton , a rainha do gelo lá do mundo de Nárnia no primeiro filme.

 

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