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Mais do que só um livro, uma fonte de sabedoria e pensamentos que Saramago nos banha nesse livro.
"No dia seguinte ninguém morreu", e é assim que começa As Intermitências da Morte. Com o castigo que a morte, com m minúsculo, porque a morte dos seres humanos não é nada comparada com a verdadeira Morte, a que acabará com tudo e a que nunca conheceremos pois quando ela chegar, nós estaremos também acabados, de José Saramago, que se pudesse sentir se sentiria traída pela raça humana, decide aplicar sob a raça humana. A Igreja cai, pois sem morte não há ressurreição. A monarquia cai, pois sem morte como pode haver a herança da coroa? Os grandes pensadores caem, porque filosofar é aprender a morrer. As casas funerárias, de repouso, cuidadores caem. As pessoas vivem verdadeiro estado da calamidade, miséria, não podem morrer, mas também não estão vivas. A morte mostra, enfim, sua importância.
Esse é um assunto delicado. Pessoalmente, a morte é o meu maior medo. Sou o líder do fã club "odiamos a morte" e esse livro foi um tapa na minha cara com força e vontade. A vida e morte andam juntas. São forças onipresentes, a morte mais ainda. Cada um de nós já nasce com a morte predestinada, como velhos amigos de infância. O mesmo com animais e vegetais. Pode-se assim dizer que a morte tem vida limitada, nasce com a gente e morre com a gente.
A primeira metade do livro ele vai narrar como o país vai se comportar com a imortalidade. Saramago vai solta diversas indiretas que tá mais para direta para Igreja, como: "Mais ou menos como na política, eminência, Assim é, mas a vantagem da igreja é que, embora às vezes o não pareça, ao gerir o que está no alto, governa o que está embaixo." e outras mais. A segunda metade do livro, que foi a que mais me identifiquei, ele vai narrar a história do ponto de vista da morte. Já deu pra perceber que a morte nesse livro é um personagem, Saramago vai personificar a própria que vai decidir cessar essa imortalidade, mas acha justo avisar com precedência que o fim está chegando para cada um, não que ela já não o fizesse, ela já dava esse privilégio para alguns ao "dar de presente" uma doença. O problema com a doença é que todos acham que vão sair dela e quando pensam em se despedir já é tarde demais.
Com um final que me fez segurar o ar por 3 segundos, As Intermitências da Morte foi o livro perfeito para eu começar Saramago. O próximo que quero ler dele é Ensaio Sobre a Cegueira. Sou muito curioso para saber se o final desse livro é o mesmo do filme.
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